A batalha de Paris contra o xixi nas ruas
Paris enfrenta um dilemma entre sua reputação romântica e um problema crescente de urinação em locais públicos. Autoridades e moradores buscam soluções inovadoras para lidar com a prática conhecida como "pipi sauvage", que persiste na cidade.
Paris, conhecida como a cidade-luz e capital do amor, enfrenta um problema intrigante: o xixi na rua. O fenômeno, chamado de pipi sauvage, incomoda moradores e turistas.
Urinar em locais públicos é comum, mas em Paris esse hábito tem raízes profundas. Mais de 200 anos de história refletem tentativas da cidade de resolver a questão. No século 19, a polícia instalou estruturas conhecidas como empêche-pipi para desencorajar essa prática.
O conde Claude-Philibert Barthelot introduziu os primeiros urinóis modernos em 1840, mas os mictórios logo foram associados a encontros sexuais e removidos na década de 1960. Somente em 1981, Paris instalou o primeiro banheiro público unissex.
Atualmente, a cidade possui mais de 6 banheiros por km², mas o problema do pipi sauvage persiste, segundo moradores como Isabel Vigneron, que observa homens urinando até ao lado de banheiros públicos.
A prefeitura tem adotado estratégias criativas, como o uso de tintas repelentes e mictórios ecológicos, mas com resultados variados. Em 2021, foram instalados murais em estações de trem para reduzir a privacidade dos infratores, conseguindo uma redução de 80% nos atos.
As tentativas de controlar a urina nas ruas, segundo o psicólogo comportamental Nicolas Fieulaine, se deparam com uma questão cultural: a urina pública é vista como uma forma de marcar território, sem o peso moral sobre o indivíduo.
A prefeitura de Paris não respondeu sobre o impacto atual da urina nas ruas e as medidas que serão implementadas em 2025. O cotidiano de muitos parisienses, por sua vez, é pontuado por esta peculiar "tradicional" prática nas ruas da cidade.