A hora da centro-direita se libertar de Bolsonaro
Pesquisa revela que a direita não bolsonarista é majoritária entre os conservadores brasileiros, enquanto a base bolsonarista representa apenas 12% do eleitorado. A centro-direita enfrenta o desafio de se distanciar de Bolsonaro e unir forças para conquistar o eleitor de centro nas próximas eleições.
Pesquisa do Instituto Ideia, realizada no início de agosto, revela que apenas 12% dos eleitores brasileiros se consideram de “direita bolsonarista”. Em contraste, 26% se identificam como “direita não bolsonarista”, indicando que os bolsonaristas são uma minoria.
17% da população se posiciona como esquerda não lulista, e outros 17% se identificam diretamente com Lula, que tende a receber apoio em uma possível reeleição em 2026.
Apesar do panorama, a centro-direita democrática enfrenta dificuldades em se dissociar de Bolsonaro, mesmo com pesquisas indicando que a maioria dos brasileiros acredita em seu envolvimento em tentativas de golpe de Estado.
Uma pesquisa da Genial/Quaest mostra que eleitores centristas estão se tornando cada vez mais refractários a candidaturas bolsonaristas, especialmente após repercussões negativas, como o “tarifaço” nos EUA e a Lei Magnitsky imposta ao ministro Alexandre de Moraes.
A centro-direita pode ter a chance de concorrer sem os bolsonaristas no primeiro turno e contar com seu apoio no segundo turno, em caso de derrota do candidato radical.
A linha que separa a direita bolsonarista da não bolsonarista é o respeito às regras democráticas. Enquanto os bolsonaristas aceitam resultados apenas quando lhes são favoráveis, a direita não bolsonarista reconhece derrotas.
A toxicidade de Bolsonaro é crescente, podendo se agravar com uma condenação pelo Supremo Tribunal Federal. A minoria bolsonarista é rejeitada também pelo eleitorado centrista.
Com Bolsonaro fora da disputa, os centristas, que representam cerca de 28% do eleitorado, podem optar por candidatos de centro-direita não bolsonaristas, especialmente com o desgaste do PT e da possibilidade de um terceiro mandato de Lula.
A estratégia para candidatos da centro-direita deve ser se apresentar como conservadores sem concessões ao bolsonarismo, diferenciando-se claramente de sua lógica.
O desafio principal é a coordenação: unir a centro-direita não bolsonarista em torno de um candidato viável. O erro da esquerda em 2018 foi a hesitação, resultando na vitória do oponente. Se a centro-direita não se libertar de Bolsonaro, poderá perder competitividade e entregar a eleição a Lula, podendo ser a última oportunidade de se afirmar como alternativa viável no campo conservador democrático.