A ideia simples que colocou na mão de mães pobres a possibilidade de salvar a vida de seus filhos no Brasil
O uso do soro caseiro revolucionou o tratamento da desidratação infantil no Brasil, salvando milhões de vidas. A Pastoral da Criança e a disseminação da colher-medida foram fundamentais para a popularização dessa prática simples e eficaz.
Mãe salva filha desidratada com soro caseiro
Nos anos 1980, uma mãe, ao ouvir de um médico que sua bebê em estado crítico deveria "morrer em casa", decidiu testar uma receita de soro caseiro. Com açúcar, sal e água, a menina começou a se recuperar.
O médico Nelson Arns Neumann, da Pastoral da Criança, acompanhou esse processo. Na década, o Brasil enfrentava uma alta taxa de mortalidade infantil, com diarreia sendo uma das principais causas.
Em 1980, 32.704 crianças faleceram de diarreia; em 2024, foram apenas 176 mortes. A terapia de reidratação oral se tornou um marco, reduzindo drasticamente as hospitalizações.
Na época, tratamento intravenoso era a única opção, mas o soro caseiro se destacou. A campanha da Pastoral da Criança, iniciada em 1983, inspirou-se em sucessos de outros países, como Bangladesh.
A colher-medida, introduzida nos anos 1990, facilitou o preparo do soro, tornando-o acessível e imediato. A distribuição de colheres ultrapassou 11 milhões até 2024.
A importância do soro caseiro foi reconhecida globalmente, sendo considerado um dos maiores avanços médicos do século XX. Apesar de não ser mais distribuído pelo SUS, a colher continua essencial para a Pastoral da Criança.
Hoje, a orientação é manter a alimentação das crianças doentes e usar o soro apenas em casos de desidratação. A colher também é mencionada, com finalidade de reidratação em casos de ressaca.