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Acordo entre Master e BRB expõe dilema entre risco privado e saúde do sistema

Gabriel Galípolo se prepara para decisões cruciais sobre a fusão entre Banco Master e BRB, que enfrenta críticas por risco de resgate governamental. Reuniões com líderes do setor financeiro visam avaliar o impacto das novas regras do FGC na estabilidade do sistema financeiro brasileiro.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, "limpou" sua agenda em 31 de outubro para reuniões com André Esteves do BTG Pactual e Paulo Henrique Costa, do BRB, para discutir o Banco Master.

O Banco Master cresceu rapidamente, com um aumento médio de 86% ao ano, mas enfrentou incertezas após novas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em dezembro de 2023. Esses fatores levantaram preocupações sobre o risco ao sistema financeiro.

Daniel Vorcaro, presidente do Master, tenta vender o banco desde as mudanças regulatórias. As tentativas de venda ao BTG não foram bem-sucedidas, mas um acordo de fusão com o BRB foi anunciado, aguardando aprovação do Cade e do Banco Central.

Críticos do acordo alegam que representa um resgate governamental e expõe a irresponsabilidade no sistema financeiro, conforme mencionado por Fabio Alperowitch, da Fama Re.capital.

A fusão criará uma holding que manterá ativos arriscados do Master, como participações em PME e precatórios. O Banco Master é muito dependente do FGC, com R$ 28 bilhões em depósitos segurados em junho de 2023.

A nova regra de dezembro pressionou bancos a reter mais ativos seguros, forçando o Master a buscar empréstimos de maior risco. A Moody's observou concentrações de risco significativas em sua carteira.

O acordo prevê a incorporação do Master pelo BRB, que terá 49% das ações com direito a voto. Vorcaro se juntará ao conselho do BRB após a fusão.

Rafael Schiozer, da FGV-EAESP, alerta que a liquidação do Master pode consumir 25% a 30% dos recursos do FGC, afetando a segurança do sistema financeiro.

Em suma, a situação do Banco Master destaca a fragilidade do sistema financeiro, com implicações significativas para o futuro, dependendo das decisões do Banco Central.

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