Agentes do mercado veem motivação política em resgate do Master
A negociação avaliada em R$ 2 bilhões levanta questões sobre a motivação política por trás da operação. Especialistas temem que a aquisição do Banco Master pelo BRB possa expor riscos financeiros e administrativos.
Acordo do BRB para comprar 58% do Banco Master gera preocupações no mercado financeiro.
O BRB anunciou na sexta-feira (28) a compra de 58% do capital total do Banco Master por cerca de R$ 2 bilhões. A operação é vista como mais política que técnica, apesar das negações do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Profissionais do setor expressam estranheza por um banco público de pequeno porte absorver uma instituição privada com perfil arriscado. Negociações entre BRB e Master supostamente contaram com a influência de políticos.
Daniel Vorcaro, próximo do ex-ministro Ciro Nogueira, e Augusto Lima, sócio do Master, têm laços com a política em Brasília. Flávia Peres, esposa de Lima, afirmou que não se encontra com o governador desde 2022.
O BRB já contratou o ex-ministro Guido Mantega como consultor. O desenho da operação confere ao BRB uma "blindagem institucional", evitando procedimentos legislativos e limitações do Ministério Público.
De acordo com fontes, o Banco Master enfrenta pressão financeira, com recursos em CDBs próximos a R$ 60 bilhões. O banco seguia uma estratégia agressiva, oferecendo CDBs a taxas muito superiores ao mercado.
Além disso, o Master tentou alternativas de captação e adquiriu precatórios do governo, mas sem sucesso em captações externas, gerando uma percepção de alta alavancagem e risco. Instituições financeiras suspenderam operações com ele.
A situação do Banco Central é considerada delicada, pois há uma necessidade de aprovação da operação. A entidade pode demorar a decidir, aumentando incertezas no mercado. A expectativa é que o BC aprove com ressalvas e condições adicionais.
Banco Central, Banco Master e BRB não comentaram a reportagem até o fechamento da mesma.