Agricultores dos EUA temem guerra comercial de Trump com a China: 'Não podemos ser o bode expiatório'
Agricultores dos EUA mostram opiniões divididas sobre as tarifas de Trump, com esperanças e receios em meio à guerra comercial. Enquanto alguns apoiam a política do presidente, muitos temem pelas consequências para suas subsistências.
Plantação de trigo em Oklahoma, nos EUA, em foto de junho de 2024 — Foto: REUTERS/Nick Oxford
O presidente Donald Trump anunciou planos para impor tarifas a parceiros comerciais como Canadá, México, União Europeia e China. A dúvida surge entre os agricultores: como enfrentar a incerteza dessa presidência?
Enquanto alguns agricultores confiam nas decisões de Trump, há também o receio de que o setor se torne o "bode expiatório" da guerra comercial.
Em Greenwood, o fazendeiro Richard Wilkins, que cultiva soja desde 1973, acredita que tarifas são necessárias para um mercado mais justo. Ele menciona o objetivo de abrir mercados globalmente.
Já Josh Messick, de 27 anos, expressa preocupação com a volatilidade do mercado. Ele não sabe se deve fechar um contrato de venda de milhos agora ou esperar pela colheita. Questiona até quando conseguirá "aguentar as pontas" com as políticas de Trump.
Trump alegou que as importações agrícolas prejudicavam os fazendeiros, pedindo para que eles "aguentassem junto". Contudo, Messick diz que decisões de Trump o deixam inquieto e muitos produtores esperam algum apoio do governo.
A queda das exportações de soja para a China chegou a 75% em 2018, afetando os agricultores americanos. Contudo, a Casa Branca planeja tarifas recíprocas contra a UE.
Caleb Ragland, da Associação Americana de Soja, afirma que os agricultores ainda não se recuperaram da guerra comercial de 2018 e alerta para as "perdas potencialmente pesadas" até 2025.
Ragland pede que Trump negocie proativamente com a China, evitando que os agricultores carreguem o peso das sobretaxas.