Alckmin confirma uso da Lei da Reciprocidade para acelerar negociações com EUA
Brasil avalia medidas de reciprocidade contra tarifas impostas pelos EUA, buscando retomar negociações comerciais. A decisão, coordenada com diversos ministérios e com prazo de 30 dias para relatório, visa aumentar a pressão sobre Washington para um diálogo.
Vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin (PSB), anunciou que o Brasil avaliará a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos.
O objetivo é acelerar as negociações sobre o tarifaço de 50% imposto pelo governo Donald Trump às exportações brasileiras. Alckmin destacou que essa medida busca destravar o impasse.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) autorizou o Itamaraty a acionar a Câmara de Comércio Exterior (Camex), que terá 30 dias para avaliar a compatibilidade das medidas dos EUA com a lei brasileira.
Caso a Camex conclua que a reciprocidade é aplicável, um grupo de trabalho será formado para sugerir contramedidas, como tarifas adicionais ou ações em propriedade intelectual.
A estratégia é parecida com a adotada pela China em negociações passadas com Trump, buscando trazer os EUA de volta à mesa de diálogo.
Alckmin afirmou que a tradição brasileira é promover o diálogo, mas reconhece que a Casa Branca não demonstrou disposição para negociar, evidenciada pela recusa em reuniões propostas por Brasília.
A iniciativa de aplicar a Lei da Reciprocidade é vista como um movimento de pressão para aumentar o custo político e econômico do tarifaço imposto por Trump.