Análise | A ilusão do protecionismo: tarifas não resolverão a crise americana
Trump anuncia novas tarifas protecionistas, afetando países como Brasil e China. Enquanto os aplausos ecoam, cresce a desconfiança sobre a eficácia de sua abordagem frente a problemas econômicos complexos.
Trump anuncia novas tarifas protecionistas
Em discurso na Casa Branca nesta quarta-feira, 2, Trump revelou sua mais recente estratégia protecionista.
- Brasil: 10% de tarifas;
- Índia, União Europeia e Japão: cerca de 20% de tarifas;
- China: 54% de tarifas.
A retórica de Trump apresenta o protecionismo como solução para problemas econômicos. Contudo, uma pesquisa indica que apenas 28% dos americanos acreditam que tarifas ajudam a economia.
Setores como o agronegócio já reavaliam seu apoio, temendo repetição da guerra comercial anterior. Além disso, a desaprovação do presidente atingiu 54%, superando sua aprovação de 46%.
Um dos grandes erros da estratégia é a crença de que tarifas devolverão empregos da classe média, quando, na verdade, a maioria dos trabalhadores está no setor de serviços.
Outra consequência das tarifas é o aumento de preços finais, que pode reduzir o poder de compra e intensificar a pressão inflacionária. Em uma economia dependente do consumo, o risco de recessão cresce.
Resultados incertos permanecem, e a reação de parceiros comerciais é crucial. Medidas como as que o Brasil planeja podem exacerbar a crise.
A agenda de Trump segue uma narrativa populista, culpando imigrantes e práticas comerciais estrangeiras pelas dificuldades econômicas, o que ressoa com a frustração da sociedade americana.
Desde os anos 80, a desigualdade de renda tem aumentado. O mito do “American Dream” persiste, mesmo com a crença de que as próximas gerações terão condições financeiras piores.
Sem soluções reais, Trump utiliza o protecionismo para fazer concessões que não ajudarão. Sua abordagem isola os EUA e cria incertezas que nem o mercado nem seus eleitores apreciam.
A solução é, na verdade, um sintoma de uma economia sem rumo.