Anatel avalia risco geopolítico de satélites da Starlink
Anatel avalia implicações do pedido da Starlink para mais satélites, enquanto concorrentes expressam preocupações sobre interferências. A tramitação do processo é influenciada por questões de soberania digital e segurança de dados no Brasil.
Starlink solicita aumento de satélites no Brasil
O pedido da Starlink para quase dobrar a quantidade de satélites na órbita brasileira está sob avaliação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) há um ano e três meses.
Além de aspectos técnicos, a Anatel considera riscos políticos e comerciais associados à empresa de Elon Musk, especialmente após confrontos com o Supremo Tribunal Federal (STF).
As operadoras locais alertam sobre riscos de congestionamento orbital e interferência nos sinais de telecomunicações se o pedido for aceito.
A Anatel vai deliberar sobre a situação em reuniões programadas para este semestre.
A Starlink iniciou suas operações no Brasil em 2022, liderando o mercado de internet via satélite com 335 mil usuários (58,6% do total). A Hughes é a segunda maior operadora, com 170 mil clientes (29,8%).
Recentemente, a Starlink pediu autorização para lançar mais 7,5 mil satélites de sua segunda geração. Contudo, o relator do processo, conselheiro Alexandre Freire, levantou preocupações sobre soberania digital, segurança de dados e potencial uso da infraestrutura em crises geopolíticas.
O governo brasileiro também busca alternativas e firmou parcerias com empresas como a SpaceSail para atender áreas remotas.
Desafios adicionais surgem em outros mercados, como na Itália, onde negociações para a Starlink em aplicações militares foram pausadas. No Canadá, um contrato da província com a Starlink foi cancelado.
As operadoras locais, representadas pelo Sindicato Nacional das Empresas de Telecomunicações por Satélite (Sindisat), contestam a ampliação do número de satélites, alegando que mudanças exigem novas licenças devido a diferenças nas novas gerações de satélites.
A Claro e a Hughes também pediram estudos mais detalhados sobre a convivência entre os novos satélites da Starlink.
A Starlink não respondeu a solicitações de entrevista, mas a reportagem está aberta a ouvir a empresa.