Anúncio de Trump é alívio para o Brasil e oportunidade para manufaturados, dizem especialistas
Especialistas consideram a sobretaxa de 10% um alívio para o Brasil, indicando que o país não é uma prioridade no foco tarifário dos EUA. Embora haja possível impacto em setores específicos, a medida pode abrir oportunidades para exportações brasileiras em mercadorias não tradicionais.
Tarifa de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA, anunciada por Donald Trump, é vista como um alívio por especialistas. A medida indica que o Brasil não é um dos principais alvos do governo americano.
A tarifa é inferior a de outros parceiros, como China (34%), União Europeia (20%) e Japão (24%). Fernanda Brandão, da Universidade Presbiteriana Mackenzie Rio, destaca que a taxa branda sugere que o Brasil não é uma ameaça à economia dos EUA.
Brandão ressalta que setores brasileiros, especialmente o da indústria têxtil, podem ganhar acesso ao mercado americano. “Os EUA continuarão comprando do exterior”, afirma ela.
Pedro Brites, da FGV-S, acredita que os setores exportadores, como o de aeronaves e o siderúrgico, sofrerão impacto, mas não será tão grave quanto para a China. André Perfeito considera que as tarifas foram favoráveis para o Brasil, que não é um alvo prioritário na balança comercial.
José Augusto de Castro, da AEB, vê a tarifa como um alívio, permitindo que o Brasil possa exportar manufaturados, além de commodities. A FIEMG afirma a necessidade de uma análise mais profunda sobre o impacto das tarifas.
O presidente da Abicalçados, Haroldo Ferreira, menciona que a taxação pode beneficiar o setor calçadista brasileiro, oferecendo oportunidades diante da perda de competitividade de China, Vietnã e Indonésia.
Produtos-chave que o Brasil exporta para os EUA incluem aço, petróleo bruto e aeronaves, totalizando US$ 2,66 bilhões em 2022. Em 2024, o Brasil também exportou US$ 1,3 bilhão em componentes de autopeças.
Trump anteriormente impôs tarifas de 20% sobre toda importação da China e 25% sobre aço e alumínio de todos os países. A tarifa de 25% sobre produtos do Canadá e México foi adiada para pressionar o combate ao tráfico de drogas.