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Ao acionar Lei de Reciprocidade, governo tenta ter 'armas' contra tarifaço de Trump, mas não vê atuação imediata

Governo brasileiro toma medidas para se preparar para possíveis retaliações econômicas dos EUA após a sobretaxa imposta por Donald Trump. A estratégia inclui consultas internacionais e o uso da Lei da Reciprocidade para enfrentar práticas comerciais consideradas injustas.

Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva autoriza consultas para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica contra os EUA, focando no tarifaço de Donald Trump, que impôs tarifas de 50% sobre exportações brasileiras.

O governo brasileiro busca estar preparado para possíveis sanções econômicas dos EUA, principalmente devido à investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.

Brasília já enviou esclarecimentos a Washington sobre corrupção, desmatamento, patentes e outros temas. A elevação de tarifas sobre produtos americanos é uma opção emergencial, mas o setor privado pede prudência devido ao aumento de custos.

Qualquer sobretaxa deverá ser "pontual e simbólica" para não prejudicar as indústrias nacionais dependentes de insumos americanos. Produtos como joias e plataformas de streaming estão entre as opções. A Camex terá 30 dias para avaliar as medidas antes de quaisquer contramedidas serem aplicadas.

O governo trabalha com prazos: a investigação dos EUA pode levar um ano, enquanto as consultas pela Lei da Reciprocidade devem ser concluídas em até sete meses. O Brasil precisa de estratégias para responder a uma possível retaliação.

Lula tenta negociar a remoção das sobretaxas de produtos como carne e café e anunciou um pacote de medidas para minimizar os impactos. Em busca de novos mercados, o vice-presidente e ministros foram ao México para ampliação do comércio. Há também negociações com Canadá e Emirados Árabes Unidos.

O Brasil iniciou um ciclo de consultas na Organização Mundial do Comércio contra o tarifaço, mas esses processos podem demorar anos. Recentemente, os EUA fecharam canais de negociação após Trump citar Jair Bolsonaro e sua situação judicial.

O Brasil se recusa a discutir o caso de Bolsonaro, enquanto os EUA impuseram sanções a autoridades brasileiras. O governo Lula teme novas sanções se Bolsonaro for condenado.

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