Após choque tarifário Trump pode usar finanças como arma contra aliados
EUA se preparam para pressionar parceiros comerciais usando táticas não convencionais, enquanto a China responde às tarifas com retaliações. Especialistas alertam que medidas drásticas podem afetar gravemente a economia global e a posição do dólar.
FRANKFURT (Reuters) – Após a implementação de novas tarifas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, surgem preocupações sobre as táticas que poderão ser adotadas para pressionar parceiros comerciais.
Os EUA, como epicentro financeiro, têm várias alavancas para coercionar países, incluindo o controle do fornecimento de dólares a bancos estrangeiros.
A China retaliou às tarifas com impacto negativo nas ações dos EUA, aprofundando a crise. Economistas como Barry Eichengreen alertam que Trump pode adotar medidas ousadas caso suas tarifas não reduzam o déficit comercial.
Um plano potencial da administração é reequilibrar o comércio ao enfraquecer o dólar, utilizando um esforço conjunto com bancos centrais estrangeiros para revalorizar suas moedas.
Contudo, especialistas são céticos quanto à viabilidade de tais acordos, especialmente na Europa e China, onde as condições econômicas e políticas diferem bastante das da década de 1980.
Se um acordo não for alcançado, o governo dos EUA pode recorrer a táticas agressivas, como restringir o acesso a dólares, afetando um mercado multibilionário de crédito e, principalmente, impactando bancos na zona do euro e no Reino Unido.
A Visa e a Mastercard também são trunfos importantes dos EUA, pois dominam o setor de pagamentos na Europa. Se serviços forem interrompidos, os europeus enfrentariam grandes desafios nas transações financeiras.
O Banco Central Europeu admitiu que isso expõe a Europa a riscos de coação econômica e considera a implementação de um euro digital, mas os planos estão lentos.
Autoridades europeias debatem possíveis respostas às ações de Trump, mas temem uma escalada da tensão, considerando a influência de Wall Street nas decisões econômicas.