Aposta em corte nos EUA e real valorizado reacendem debate sobre juros no Brasil
Mercado financeiro analisa impactos de possíveis cortes de juros nos EUA e suas consequências para a política monetária brasileira. Economistas alertam para a fragilidade do cenário econômico e a necessidade de cautela nas decisões sobre a inflação.
Dados da economia americana divulgados em agosto reforçam a expectativa de flexibilização dos juros nos Estados Unidos, impactando a política monetária do Brasil.
No Brasil, a pressão inflacionária permanece e a valorização do real aumenta a confiança dos investidores, mas é necessário cautela na análise dos dados.
Em julho, o IPCA subiu 0,26%, abaixo da projeção de 0,36%. A média dos núcleos de inflação do Banco Central desacelerou para 5,06% em 12 meses. Nos EUA, a inflação ficou em 3%, acima da meta de 2%.
José Alfaix, economista da Rio Bravo Investimentos, afirma que “os indicadores de preços mostram alívio, mas a pressão sobre serviços e a fragilidade fiscal mantêm o ambiente incerto.”
O mercado de trabalho dos EUA apresenta enfraquecimento, com criação de empregos desacelerando e revisões negativas. A taxa de desemprego é de 4,2%, devido à escassez de mão de obra.
A inflação poderá aumentar em breve, com empresas absorvendo 64% das tarifas de importação de Trump, o que pode não ser sustentável. Goldman Sachs prevê repasse desses custos aos consumidores.
O corte de juros é previsto, influenciado por fatores políticos e não apenas econômicos, aumentando a probabilidade de uma decisão em breve.
No Brasil, a valorização do real, que ajuda a controlar a inflação, eleva as esperanças de corte de juros antes de 2025, mas a discussão é vista como prematura por Alfaix.
A fragilidade do câmbio e a saída líquida recorde de recursos geram incertezas. Apesar da queda do dólar em 12% em 2025, o fluxo cambial foi negativo em US$ 14,6 bilhões.
Os gastos públicos e o impacto dos precatórios também acrescentam riscos ao cenário fiscal. Alfaix alerta para o risco de uma flexibilização monetária precoce comprometer o controle da inflação.
“A confiança é a ferramenta mais valiosa do Banco Central,” destaca Alfaix, ressaltando a necessidade de preservar a credibilidade do regime de metas.