Argentina vive 'tensão pré-desvalorização' às vésperas de acordo com FMI
A crescente desvalorização do peso argentino gera nervosismo entre a população e pressão sobre o governo de Milei. Enquanto o dólar blue ultrapassa os 1.300 pesos, economistas expressam preocupações sobre o impacto de uma possível mudança cambial.
Crise econômica na Argentina: A vida financeira dos argentinos voltou a concentrar-se no dólar, especialmente após fortes especulações sobre a desvalorização do peso.
Até agora, o Banco Central da República Argentina (BCRA) injetou US$ 1,3 bilhões para conter a alta do dólar, que alcançou 1.300 pesos.
O governo de Javier Milei busca acalmar os mercados com um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para disponibilizar US$ 20 bilhões.
Milei enfrenta protestos sociais e afirma que seu governo está sob ataque, dizendo: “Houve uma tentativa de golpe institucional”. A pressão do câmbio aumentou, com desvalorização superior a 1% prevista pelo ministério.
Em meio ao aumento da demanda por dólares, a compra e venda da moeda se intensificou através de grupos de WhatsApp, e muitos retiraram aplicações em pesos para adquirir dólares.
Analistas, como Fernando Corvaro, preveem uma eventual mudança de regime cambial e destacam a importância de capitalizar o BCRA para reduzir a inflação e o risco do país.
Os planos de Milei de liberalizar o cepo cambial dependem da situação do BCRA, criando incertezas que afetam o mercado e a população.
Mudanças no mercado: Exportadores aguardam para liquidar divisas enquanto importadores se apressam a pagar suas dívidas. A tensão no mercado paralelo tem aumentado, com a cotação do dólar prestes a afetar as eleições legislativas em outubro.
Com a alta do câmbio, muitos argentinos estão viajando para o exterior, tornando a Argentina o país mais caro da América Latina. No início de 2024, 1,9 milhão de argentinos viajaram para fora, um aumento significativo em relação ao ano anterior.
A maior parte dos viajantes escolheu destinos como Brasil (38,6%), Chile (20,2%) e Uruguai (16,3%), enquanto o número de turistas estrangeiros na Argentina caiu em 30,7%