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As 'plantas zumbis' que voltam à vida depois de secas

Pesquisadores exploram a capacidade das chamadas "plantas de ressurreição" para desenvolver soluções agrícolas que aumentem a resistência à seca. O objetivo é integrar características genéticas que permitam que culturas comuns, como milho e trigo, sobrevivam em um clima cada vez mais hostil.

Jill Farrant, professora da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, observa desde criança as plantas de ressurreição, capazes de sobreviver à seca por meses.

Essas plantas se recuperam rapidamente ao receber água e incluem apenas 240 das 352 mil espécies de angiospermas conhecidas. Elas são encontradas principalmente na África do Sul, Austrália e América do Sul.

A técnica da vitrificação permite que essas plantas substituam a água perdida por açúcares, reduzindo a velocidade das reações químicas e preservando seu tecido.

Os cientistas, incluindo Farrant, acreditam que essa resistência à seca pode ser chave para adaptar a agricultura às mudanças climáticas, com perdas de produção estimadas em 16,6 bilhões de dólares em 2023 nos EUA.

Pesquisadores estudam a possibilidade de transferir essa tolerância à seca a culturas como milho e trigo, utilizando edição genética ou explorando o microbioma das raízes.

Um estudo em 2018 demonstrou que uma única modificação genética pode aumentar a resistência à seca de plantas, como a batata-doce. Farrant também investiga o tef, parente próximo das plantas de ressurreição, buscando melhorar sua resistência.

A pesquisa é um caminho promissor para aumentar a produção agrícola em um clima em mudança, embora o debate sobre modificações genéticas continue.

* Alex Riley é escritor de ciências e autor do livro Super Natural.

Leia a versão original (em inglês) no site BBC Innovation.

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