Assessor de Trump diz que novas tarifas nos EUA arrecadarão US$ 6 trilhões em uma década
Assessor da Casa Branca projeta arrecadação recorde com novas tarifas, mas especialistas alertam para riscos econômicos. Mudanças nas tarifas de importação de automóveis podem ter impacto significativo no mercado e na inflação.
Peter Navarro, assessor da Casa Branca, afirmou que as novas tarifas do presidente Donald Trump arrecadariam mais de US$ 6 trilhões ao longo da próxima década, representando o maior aumento de impostos em tempos de paz na história dos EUA.
Durante uma aparição na Fox News, Navarro divulgou que tarifas sobre importações de automóveis, que começarão na quarta-feira, devem arrecadar US$ 100 bilhões por ano. Um novo regime tarifário pode gerar US$ 600 bilhões anuais, totalizando US$ 6 trilhões em dez anos.
A quarta-feira, 2, foi chamada por Trump de “Dia da Libertação”, indicando a possibilidade de medidas radicais. Kevin Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional, cauteloso, não detalhou as tarifas, afirmando que o presidente ainda está analisando opções.
Os comentários de Navarro devem provocar reações no mercado financeiro, que já enfrentava queda, com o S&P 500 projetando uma baixa de cerca de 5% no primeiro trimestre.
As tarifas são impostos sobre importações. Um regime que arrecadasse US$ 600 bilhões anualmente seria o maior aumento de receitas desde a Segunda Guerra Mundial, segundo a especialista Jessica Riedl. Ela destacou que um aumento tão significativo é inédito em tempos sem uma emergência nacional.
Enquanto os EUA gastarão quase US$ 900 bilhões no Pentágono este ano, a extensão dos cortes fiscais de Trump deve custar cerca de US$ 4 trilhões em dez anos. A arrecadação de US$ 600 bilhões anualmente poderia, teoricamente, cobrir esses cortes, mas poderia também aumentar a instabilidade em Wall Street e o risco de uma recessão.
A administração Trump defende que tarifas são essenciais para restaurar empregos na produção. Navarro afirmou: “Tarifas são cortes de impostos. Tarifas são empregos.” Contudo, ele não detalhou como chegou às suas projeções e Trump sugeriu uma taxa única sobre todas as importações até 20%.
Economistas alertam que tal imposto poderia resultar em preços mais altos para os consumidores, resultando em menor consumo de bens importados. O Secretário do Tesouro delineou uma abordagem mais cautelosa, mas Trump parece incerto sobre suas políticas tarifárias.