Azeite e sardinha mais baratos: efeito do incentivo à importação de alimentos chega aos supermercados
Governo isenta tarifas de importação para nove alimentos com objetivo de conter a inflação e facilitar o acesso aos produtos. Especialistas apontam que o efeito na redução dos preços será limitado e dependerá de outros fatores de mercado.
Governo zera tarifas de importação de nove alimentos para facilitar a entrada de produtos no mercado interno e evitar a alta de preços.
Levantamentos mostram que o impacto será maior em itens como azeite e sardinha, dos quais o Brasil é grande importador.
A redução já resulta em algumas quedas de preços, mas analistas apontam que o efeito na inflação será restrito. Supermercados relatam que os preços continuam altos, com preços do azeite ainda considerados elevados.
Atualmente, 99% do azeite consumido no país vem de Portugal (57%) e Espanha (14%).
Desde a isenção das tarifas em 14 de março, produtos como azeite, café e carnes apresentam variações de preços menores. Contudo, André Braz, do FGV IBRE, lembra que a redução de imposto pode não ser a única responsável por essa mudança.
A isenção pode ajudar a reduzir alguns preços, mas a margem dos lojistas e a variação cambial também influenciam. O preço de produtos como óleo de soja, ovos e carne bovina já está em queda, atribuída em parte à mudança nas tarifas.
Os produtos em importação com tarifa zero, como o milho, impactaram preços no atacado, como testemunham quedas dos preços de ovos e farinha de trigo.
Carla Beni, professora da FGV, considera a medida de pouco impacto no IPCA, a inflação oficial, embora a atuação do governo mostre ação política.
Com boa safra e importações diretas, algumas redes de supermercados confirmam queda nos preços do azeite. Dirce Louzada, consumidora, observou a queda nos preços e relatou progresso no custo do arroz.
Silvio Campos Neto, economista, destaca que o Brasil é grande produtor de itens com tarifa zerada e a recuperação da safra traz alívio para os preços ao longo do ano, apesar de pressões na cadeia de carnes.
Em 2024, a importação de massas italianas deve aumentar devido à redução de tarifas, enquanto o Brasil deve incrementar compras de carnes dos EUA e Paraguai.
Juliana Inhasz do Insper, afirma que a redução de tarifas tem efeito pontual, com potencial impacto maior pela oferta crescente de produtos, como o café.