Banco Master pode ser desmembrado em ao menos seis partes se operação for aprovada pelo BC; entenda
Banco Central analisa operação que pode dividir o Banco Master e reduzir riscos financeiros, enquanto novos investidores entram na disputa pelos ativos da instituição. A situação financeira crítica e a necessidade de garantias do Fundo Garantidor de Créditos complicam a aprovação do negócio.
Banco Central analisa venda de 58% do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB), podendo dividir a instituição em seis partes.
Participações seriam vendidas ao BTG Pactual e ao grupo J&F, enquanto Daniel Vorcaro manteria ativos sem interesse do mercado, com suporte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A operação está sob análise do Banco Central, que busca consenso interno, já que a transferência de controle do Banco Voiter foi aprovada este mês. O Voiter agora será conhecido como Banco Pleno.
Em novembro de 2024, Maurício Quadrado anunciou a aquisição do Letsbank, agora Bluebank, aprovada pelo CADe, mas ainda sem autorização do BC para operação.
O J&F comprou a seguradora Kovr e está interessado em empresas como a Oncoclínicas. Por sua vez, o BTG adquiriu R$ 1,5 bilhão em ativos de Vorcaro, incluindo precatórios e direitos creditórios.
O Banco Central avalia a operação para reduzir riscos ao sistema financeiro e assegurar que a liquidez em negociação com o Master seja honrada. Cláusulas em negociação limitam captações do Master.
CDBs acima de R$ 250 mil iriam para o BRB, enquanto os de até R$ 250 mil, com garantia do FGC, permaneceriam com o Master.
A documentação final da operação foi enviada ao Banco Central em agosto, iniciando um prazo de análise de 365 dias.
O Master já recebeu między R$ 1 bilhão e R$ 4 bilhões do FGC e poderia negociar uma nova linha de mais de R$ 10 bilhões para garantir CDBs de até R$ 250 mil.
A saída de Vorcaro é vista como crucial para a aprovação do negócio. Ele ainda será dono de 42% do novo BRB Corporate Bank.
Uma das dificuldades da operação é determinar o valor dos ativos do Master, como a Oncoclínicas, que teve uma avaliação excessiva, podendo gerar prejuízos e deixar CDBs “descobertos”.
Deputados do PT pediram à Polícia Federal que investigue indícios de crime na gestão do Banco Master, com a CVM apontando investimentos de R$ 2,1 bilhões em empresas sem capacidade econômica.