Base quer Pedro Campos como relator da MP do tarifaço, mas Motta indica que será deputado de centro
Governo busca consenso para relatoria da MP do tarifaço em meio a pressão política. A escolha de um deputado de perfil neutro visa facilitar a negociação com a oposição e garantir a aprovação rápida da medida.
Base do governo Lula articula para que o deputado Pedro Campos (PSB-PE) assuma a relatoria da medida provisória (MP) do tarifaço. No entanto, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indica a preferência por um parlamentar de perfil mais ao centro.
A MP foi editada para detalhar o plano de socorro às empresas afetadas pela taxa de 50% imposto por Donald Trump a produtos brasileiros.
Líderes governistas discutem a indicação de Campos, que é próximo ao Executivo, mas Motta acredita que o relator deve ser alguém fora da base e da oposição. Motta declarou ao GLOBO que a MP deve instalar uma comissão especial e requer um deputado equilibrado.
Pressão sobre a escolha: Líderes partidários exigem que a relatoria não vire um palanque político nem espaço para radicalismos. A comissão especial deve ser instalada na próxima semana.
A MP, assinada por Lula em 13 de agosto, tem um prazo de 120 dias para ser referendada pelo Congresso. A tramitação rápida é vital para os setores afetados pelas novas tarifas americanas.
A escolha do relator deve equilibrar três fatores:
- boa relação com o governo
- capacidade de negociação com a oposição
- perfil técnico
O governo busca usar a MP como um instrumento de proteção para setores estratégicos da economia, prevendo linhas de crédito subsidiadas e compras governamentais.
Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se reuniram com Lula para discutir a necessidade de alinhamento entre Executivo e Legislativo frente à ofensiva comercial de Trump. O encontro também abordou a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil, com urgência aprovada na Câmara.