BC tem tentado comunicar que País irá conviver com IPCA acima da meta no curto prazo, diz Galípolo
Galípolo admite que a inflação permanecerá acima da meta no curto prazo e ressalta a necessidade de monitorar dados econômicos. O presidente do Banco Central avalia os efeitos das altas de juros e as expectativas inflacionárias em um cenário de incertezas.
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirma que a inflação permanecerá acima da meta de 4,5% no curto prazo.
No dia 27 de abril, durante entrevista sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), Galípolo confirmou que será o primeiro a escrever duas cartas ao presidente do Conselho Monetário Nacional (CMN) em um único ano, devido à inflação acima do limite superior.
Ele destacou que, mesmo com juros elevados, será necessário conviver com um IPCA acima da meta e que as taxas continuarão subindo em um cenário de incertezas na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em maio.
Galípolo enfatizou o compromisso do BC com a meta de inflação, considerando as altas nas expectativas inflacionárias como preocupantes.
A instituição busca entender se a taxa Selic de 14,25% é suficientemente contracionista e reafirmou a importância de coletar dados para avaliar a convergência para a meta de inflação.
Sobre comunicação, negou ter recebido sugestões do ministro Sidônio Palmeira e afirmou ter orgulho da autarquia, que busca novas estratégias de comunicação, como a série de vídeos “BC sincero”.
Ele também rejeitou que as decisões sobre juros deste ano foram influenciadas pelo ex-chefe Roberto Campos Neto, ressaltando a autonomia dos diretores do BC.
Galípolo minimizou comentários do vice-presidente Geraldo Alckmin sobre a análise de núcleos de inflação, afirmando que a autonomia do BC permite debates sobre seu funcionamento.
Além disso, o BC tenta entender o impacto das tarifas comerciais nos EUA e os efeitos de novas medidas governamentais no saque-aniversário do FGTS e na isenção do Imposto de Renda, que ainda não foram calculados.