Bispa de Washington que peitou Trump fala em honrar quem pensa diferente
A reverenda Mariann Edgar Budde lança seu livro "Como Aprendemos a Ser Corajosos" e reflete sobre a necessidade de compaixão na liderança cristã. Em meio a um cenário de polarização, ela defende diálogos respeitosos entre diferentes grupos sociais e a reintegração da misericórdia nos ensinamentos cristãos.
A reverenda Mariann Edgar Budde lança seu livro "Como Aprendemos a Ser Corajosos" no Brasil nesta segunda-feira (31). O início da escrita ocorreu após seu primeiro grande ato de coragem, em 2020, quando criticou Donald Trump por posar com uma Bíblia em sua igreja, simbolizando o uso político de símbolos sagrados.
No mesmo contexto, a polícia havia desmantelado um protesto contra a morte de George Floyd, o que intensificou suas convicções. Em 2025, Budde, em um culto com Trump, pediu misericórdia e destacou a situação de imigrantes e da comunidade LGBTQIA+. Trump, porém, afirmou que não foi um bom culto.
Em entrevista, Budde menciona o aumento do nacionalismo cristão como uma "distorção da mensagem cristã" e as falhas do campo democrata, que causam desconfiança em muitos americanos.
Ela afirma ser essencial estender a mão a quem pensa diferente e tratar todos com dignidade, mesmo em desacordo. Budde critica a interpretação da fé cristã que exclui e desrespeita - algo oposto aos ensinamentos de Jesus.
Sobre o crescimento do nacionalismo cristão nos EUA, menciona que ele é impulsionado pelo medo das mudanças sociais e pelas mídias sociais que favorecem certos grupos. Ela critica o uso da religião para interesses políticos, que exclui diversas minorias.
Budde quer dialogar com todos, ouvindo suas preocupações, principalmente sobre economia e imigração, que geram medo e descontentamento. Ela acredita que a misericórdia pode ser recolocada no centro do cristianismo americano, embora preocupe-se com a exclusão em grupos nacionalistas.
Comparando os contextos do Brasil e EUA, Budde destaca que, assim como no Brasil, a esquerda nos EUA tem deixado de representar certos grupos sociais, resultando em um forte sentimento de desvalorização por parte de muitos americanos.
Sobre a Bíblia, Budde observa que contém tanto passagens *tribais* quanto mensagens claras sobre como tratar imigrantes com respeito, pois todos já foram estrangeiros.
Ela defende a integração da comunidade LGBTQIA+ na vida cristã, considerando suas expressões como válidas na fé. Budde, como líder, procura navegar por um ambiente polarizado com cuidado e humildade.
Atualmente, é bispa da Diocese Episcopal de Washington e destaque na defesa de justiça social e direitos humanos, tendo criticado publicamente Trump em 2020.