Bolsonarismo desloca palco da guerra política ao exterior com autoexílio, Trump e rede internacional
Eduardo Bolsonaro se licencia do mandato para articular apoio internacional e buscar sanções contra autoridades brasileiras. A estratégia marca uma nova fase na relação entre bolsonaristas e políticos americanos, ampliando as conexões da direita no cenário global.
Disputa Política dos Bolsonaro Se Desloca Para o Exterior
O clã Bolsonaro, liderado por Eduardo Bolsonaro, busca deslocar a disputa política brasileira para o cenário internacional, diante do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF.
A estratégia começou em 2018, mas ganhou força com a volta de Donald Trump à presidência dos EUA. Eduardo se licenciou de seu mandato no Congresso e se mudará para os EUA, buscando “sanções” contra autoridades brasileiras.
Como novo secretário de Relações Internacionais do PL, Eduardo se afastou da política interna após ser desencorajado a liderar uma comissão na Câmara, optando por estreitar laços com políticos americanos, em especial com Trump.
Os bolsonaristas têm viajado a Washington para relatar perseguições políticas no Brasil e denunciar abusos de autoridade. Recentemente, a bancada se reuniu com Pedro Vaca Villarreal da CIDH para dar visibilidade internacional às suas queixas.
O apoio a Eduardo veio de parlamentares americanos, incluindo Rich McCormick, que pediu sanções contra o ministro Alexandre de Moraes através da Global Magnitsky Act. Outros republicanos também criticaram o cenário político no Brasil, descrevendo-o como um "golpe judicial".
A antropóloga Isabela Kalil observou que a ofensiva de Eduardo representa uma articulação da extrema direita, acentuada após os eventos de 8 de janeiro de 2023 e a prisão de apoiadores de Bolsonaro.
A conexão dos bolsonaristas com líderes internacionais e a ascensão do trumpismo têm colocado o Brasil em um papel relevante no contexto da extrema direita global.