Bolsonaristas veem gesto de Barroso em fala sobre anistia após julgamento do golpe no STF
Barroso destaca que a anistia antes de condenação é juridicamente inviável, mas sugere que o tema pode ser debatido politicamente após o julgamento. A fala gera esperanças entre aliados de Bolsonaro para uma possível aprovação de anistia no Congresso.
Presidente do STF, Luís Roberto Barroso, fez declarações em palestra em Cuiabá (MT) que foram interpretadas como um sinal de que o Supremo Tribunal Federal (STF) poderá não interferir em uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e outros réus do inquérito da tentativa de golpe.
Segundo relatos, Barroso afirmou que anistia antes do julgamento é uma impossibilidade, pois “não houve julgamento e nem condenação”. Ele destacou que após o julgamento, o pedido de anistia se torna uma questão política, a ser resolvida pelo Congresso.
Barroso também sugeriu que a anistia poderia ser um fator de pacificação, embora o STF não tenha confirmado essa declaração. O evento foi promovido pela Associação Mato-grossense de Magistrados.
Aliados de Bolsonaro entenderam que a fala de Barroso dá autonomia ao Congresso para discutir a anistia. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, declarou que não há clima para uma anistia ampla, mas que pode haver reavaliações de penas consideradas exageradas.
Durante um jantar em Brasília, líderes partidários e governadores concordaram que a aprovação da anistia é necessária para “virar a página”. A tarefa de coordenar a atuação no Congresso ficou com Antonio de Rueda e Ciro Nogueira.
Apoio à anistia pode chegar a 328 deputados e 56 senadores, suficiente para a aprovação, embora a votação dos partidos seja incerta. A proposta incluiria Bolsonaro e condenados pelo 8 de Janeiro.
Os participantes do encontro acreditam que a fala de Barroso sinaliza uma maior aceitação do tema pelo STF e desejam que a tramitação da anistia ocorra simultaneamente ao julgamento de Bolsonaro. O grupo pretende continuar atuando em conjunto para reformas e uma plataforma eleitoral para 2026.