HOME FEEDBACK

Bolsonaro mandou Cid distribuir remédios de uso proibido no Brasil durante a pandemia da covid-19

Diálogos entre Jair Bolsonaro e Mauro Cid revelam a distribuição irregular de proxalutamida, medicamento sem aprovação da Anvisa, durante a pandemia. As mensagens indicam que a substância foi enviada a aliados políticos, desrespeitando normas de saúde pública.

BRASÍLIA - Durante a pandemia de covid-19, o ex-presidente Jair Bolsonaro autorizou o tenente-coronel Mauro Cid a distribuir um medicamento proibido no Brasil, a proxalutamida, sem registro na Anvisa e somente em fase de testes.

A Polícia Federal obteve dados do celular de Cid que mostram que o medicamento foi fornecido a aliados de Bolsonaro. As defesas de ambos não comentaram o caso.

A proxalutamida é um anti-androgênio em fase de testes para certas doenças, mas não aprovada em nenhum órgão global. A Anvisa autorizou estudos, mas a importação foi suspensa devido a irregularidades, incluindo a importação em excesso, o que levou a desvios de carga. Investigações ainda estão em andamento.

Mensagens entre Cid e Bolsonaro, datadas de junho de 2021, revelam pedidos de autorização para enviar o medicamento a internos, como o pastor R. R. Soares e a família do deputado Luciano Bivar. Embora o remédio tenha sido enviado a Bivar, ele afirmou que não foi utilizado.

O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, também estava envolvido. Mensagens revelam que ele defendia publicamente a proxalutamida e ajudou na aquisição do medicamento. Cid distribuiu os comprimidos a outros aliados, mencionando até a entrega ao irmão de Bivar.

A distribuição do medicamento, sem registro, pode caracterizar crime conforme o artigo 273 do Código Penal, que prevê penas de 10 a 15 anos de reclusão. A Anvisa reiterou que a comercialização de medicamentos sem registro é irregular.

O médico Flávio Cadegiani, que liderava estudos sobre a droga, negou ter orientado o uso fora do contexto da pesquisa, enquanto a Polícia Federal continua a investigação sobre a distribuição irregular do medicamento.

Leia mais em estadao