Brasil fica em penúltimo lugar em ranking sobre métodos de seleção de servidores na América Latina
Brasil melhora processo seletivo de servidores públicos, mas ainda enfrenta desafios como judicialização e práticas fraudulentas. Novo Concurso Nacional Unificado traz mudanças, incluindo provas orais e análise de títulos, mas especialistas alertam para a necessidade de inovação no recrutamento.
Brasil ocupa penúltimo lugar no índice da OCDE sobre métodos de seleção de servidores públicos na América Latina, com pontuação de 0,13, apenas acima do Paraguai.
O relatório da OCDE, compilado pela Fundação Dom Cabral, revela que o Brasil está atrás de países como Haiti e Guatemala. A média da América Latina é 0,27, enquanto a da OCDE é 0,45.
Nos EUA e Reino Unido, processos seletivos incluem entrevistas e análises de currículo, em contraste com os brasileiros, que predominantemente utilizam testes de conhecimento analítico e cognitivo.
Concursos públicos são a principal entrada para cargos governamentais, com exceções limitadas. Este ano, o Concurso Nacional Unificado introduzirá provas orais e defesa de memorial para algumas carreiras, como no Ministério da Saúde.
Especialistas acreditam que o Brasil pode modernizar seu recrutamento com novos métodos, como entrevistas, mas enfrentam resistência devido ao risco de judicialização e práticas fraudulentas em concursos menores.
O professor Fernando Coelho destaca que o uso predominante de concursos busca isonomia, mas muitos ainda são feitos de forma ilícita a nível local. Ressalta-se uma aversão à inovação e um foco em redução de custos, que limita a qualidade da seleção.
No entanto, essa escolha pode gerar maiores despesas futuras, já que apenas 0,19% dos servidores federais entre 2014 e 2024 foram reprovados no estágio probatório, revelando falhas no processo de avaliação.
A falta de avaliação de desempenho para servidores estáveis perpetua um atraso em comparação com outros países. O professor Humberto Martins sugere que modalidades diversas de seleção são necessárias para atender à complexidade do setor público.
O Ministério da Gestão e da Inovação anunciou que a nova Lei Geral dos Concursos, aprovada em 2024, traz mudanças como a inclusão de análise de competências e provas dissertativas em processos seletivos.