Café sobe mais de 40% ao produtor e pode voltar a pressionar preços nos supermercados
Cafeeiros enfrentam pressões de custo e clima desfavorável, enquanto consumidores podem sentir impacto gradual nos preços. Expectativas para a produção de 2026 criam incertezas, mas Brasil busca diversificar mercados diante da tarifa imposta pelos EUA.
Altas nos preços do café aos produtores foram registradas em agosto, com destaque para o tipo robusta, que teve um aumento de 43% até o dia 25. A variedade arábica subiu 26,3%.
O preço da saca de 60 kg do café robusta fechou a R$ 1.469,43, enquanto o arábica atingiu R$ 2.287,56. Em 1º de agosto, o robusta estava a R$ 1.029,06 e o arábica a R$ 1.772,27.
Os motivos para essa alta incluem:
- Estoques limitados;
- Frio e geadas que preocupam produtores;
- Instabilidade causada pela sobretaxa de 50% às exportações para os EUA.
André Braz, da Fipe, prevê que o efeito no consumidor pode demorar de semanas a meses, devido às etapas de beneficiamento e logística. Ele alerta que as tarifas de Trump podem equilibrar o preço ao consumidor final, mas o impacto disso é incerto.
Celírio Inácio, da Abic, menciona que a safra tem sido menor que o esperado desde 2020, enquanto o consumo vem aumentando. O cenário climático e as chuvas nas próximas semanas são cruciais para a produção de 2026.
As tarifas de Trump continuam como tema central nas discussões do setor, que fornece cerca de 25% do café importado pelos EUA. Em 2024, o Brasil deverá buscar alternativas de escoamento da produção, diversificando mercados, especialmente para a China.
André Braz conclui que, se a oferta restrita persistir, as altas de preços continuarão a impactar o consumidor, especialmente no fim do ano.