Câmara pode votar na próxima semana PEC que exige aval do Congresso para investigar parlamentares
Câmara dos Deputados avalia mudanças na PEC da Blindagem para incluir prazos de análise de investigações sobre parlamentares. A proposta busca revitalizar o texto da constituinte anterior e reflete a insatisfação dos congressistas com o Supremo Tribunal Federal.
Câmara dos Deputados pode votar na próxima semana a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/2021, conhecida como PEC da Blindagem.
O texto será alterado para retomar a redação da constituinte de 1988 a 2001, que exigia aval do plenário para investigar parlamentares.
O relator, deputado Lafayette de Andrada (Republicanos-MG), estuda incluir um prazo de 45 ou 60 dias para análise de pedidos, evitando que processos sejam "engavetados".
A extensa lista de apoiadores da PEC inclui o ex-deputado e atual ministro do Turismo, Celso Sabino (União-PA), e vários partidos como PP, Republicanos, MDB, PSD, entre outros.
O relator se reuniu com líderes e planeja mais reuniões individuais, constatando que a retomada do texto da constituinte é o caminho mais provável. “É defensável, não tem como questionar”, afirmou um líder.
O Judiciário teme que pedidos não sejam analisados, motivando a proposta de um prazo que, se não cumprido, trancaria a pauta da Casa.
Lafayette de Andrada declarou: “Quero um texto constitucional defensável”, evitando inovações exageradas.
A discussão sobre prerrogativas parlamentares é complexa, mas há um consenso sobre a insatisfação com o Supremo Tribunal Federal (STF). A ideia de retomar o texto da constituinte é bem aceita.
Em gestões anteriores, a PEC não avançou devido ao clima político desfavorável, mas agora há um espaço maior para debate, especialmente após diferentes embates com o STF.
Em 2021, a proposta surgiu após a prisão do deputado Daniel Silveira, alterando o poder do Judiciário sobre o Legislativo. Em 2024, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), promoveu um "pacote anti-STF", abordando limitações em decisões monocráticas do Supremo.
Embates recentes, como a decisão sobre emendas e medidas cautelares, aumentaram a urgência de fortalecer as prerrogativas dos deputados.