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Caso Lisa Cook: reação do mercado foi moderada porque ninguém acredita na demissão, diz economista

Fabio Kanczuk analisa as consequências do anúncio de demissão da economista, avaliando que a tentativa de Trump de reduzir a independência do Fed enfrenta barreiras legais. Apesar do impacto moderado no mercado, as intenções do presidente levantam preocupações sobre a política monetária americana.

Donald Trump anunciou a demissão de Lisa Cook do Federal Reserve (Fed), mas o impacto no mercado foi moderado, pois investidores duvidam que a demissão possa ser concretizada. A avaliação é de Fábio Kanczuk, diretor de macroeconomia do ASA.

Kanczuk afirma que a intenção de Trump de enfraquecer o Fed é clara, mas a execução da demissão é incerta. "O mais provável é que a batalha vá parar na Justiça, e Cook continuará no cargo", diz ele.

Em meio a essa controvérsia, o dólar fechou em alta de 0,34%, cotado a R$ 5,4338, enquanto o Ibovespa caiu 0,18% a 137.771 pontos.

Cook, que possui mandato até 2038, pretende contestar judicialmente a demissão, afirmando não haver "justa causa" para sua saída. A legislação do Fed exige comprovação de falta grave para a demissão de membros do conselho.

O Fed reiterou sua independência, afirmando que Cook continua no cargo até que haja uma decisão judicial. A instituição defendeu que seus diretores têm mandatos de 14 anos, protegendo a política monetária de pressões políticas.

Trump alega que Cook cometeu fraude hipotecária, mas a decisão de demiti-la é considerada inédita, já que os membros do Fed estão protegidos de demissões arbitrárias.

Lisa Cook é a primeira mulher negra a ocupar um cargo no Fed e tem uma trajetória acadêmica destacada, tendo sido indicada por Joe Biden.

A demissão foi encaminhada ao Departamento de Justiça para investigação, e Cook declarou que não renunciará, continuando a cumprir suas funções.

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