Censo da Fiocruz aponta indústrias de IFA no mesmo patamar de 2013, mas com potencial de expansão
Falta de Insumos Farmacêuticos Ativos expõe Brasil a riscos de desabastecimento. Estudo da Fiocruz aponta que apenas 5% das necessidades do país são supridas pela produção local.
Indisponibilidade de medicamentos no Brasil está relacionada à falta de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), essencial para a fabricação. Segundo Jorge Costa, da Fiocruz, garantir a produção local é crucial para evitar desabastecimento e fortalecer a soberania na saúde.
O Censo Nacional de IFAs revelou que apenas 100 dos 2.000 IFAs registrados são produzidos no país, representando 5% das necessidades. Essa dependência da importação expõe o Brasil a riscos, como evidenciado na pandemia, quando a Índia fechou suas exportações.
A Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi) aponta a necessidade de aumentar a produção nacional de IFAs para pelo menos 20% e cita que 80% das indústrias têm capacidade ociosa, permitindo expansão rápida.
O Brasil possui uma vantagem competitiva na produção de IFAs por extração animal, com um dos maiores rebanhos de gado e suínos do mundo. Apesar disso, a competição desleal com importações mais baratas é um desafio, prejudicando os produtores locais.
O estudo da Fiocruz ressalta a necessidade de políticas públicas que fomentem a produção nacional e ampliem parcerias público-privadas. Jorge Costa critica a falta de continuidade em políticas industriais que possam posicionar o Brasil como um ator relevante no setor farmacêutico em um prazo de 15 a 20 anos.
Um caso emblemático é a enzima L-asparaginase, essencial para tratar leucemia infantil, que não é produzida no Brasil, resultando em consequências trágicas para pacientes.
O coordenador do censo defende um comprometimento do governo para tratar a indústria farmacêutica como estratégica, independentemente da situação política.