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Centenas de funcionários da ONU pedem que chefe de direitos humanos declare genocídio em Gaza

Funcionários da ONU pedem reconhecimento de genocídio na Gaza, citando violações graves. A carta ressalta a responsabilidade legal da organização em denunciar a situação atual e compara com o fracasso em Ruanda.

Funcionários da ONU pedem classificação de genocídio em Gaza

Centenas de funcionários das Nações Unidas enviaram uma carta ao alto-comissário para os direitos humanos, Volker Turk, solicitando que a guerra na Faixa de Gaza seja explicitamente descrita como um genocídio.

A carta, enviada nesta quarta-feira (28), foi vista pela Reuters e argumenta que os critérios legais para genocídio já estão sendo observados, citando a escala, alcance e natureza das violações em Gaza.

"O ACNUDH tem uma forte responsabilidade legal e moral de denunciar atos de genocídio", diz a missiva, assinada por mais de 500 empregados. Os funcionários pedem uma posição clara e pública de Turk.

Os autores alertam que não denunciar um genocídio em curso "mina a credibilidade da ONU e do sistema de direitos humanos". A carta menciona o fracasso moral da ONU em impedir o genocídio de Ruanda em 1994.

O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, afirmou que Turk tem apoio total do secretário-geral António Guterres, mas enfatizou que a classificação de genocídio deve ser feita por uma autoridade legal competente.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel rejeitou a carta, alegando que não responde a acusações de funcionários da ONU, e negou as alegações de genocídio em Gaza, citando seu direito à autodefesa.

Desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou em 1.200 mortes e 251 reféns, a guerra em Gaza matou quase 63 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. A ONU também reporta fome e desnutrição grave na região.

A carta teve suporte de cerca de 25% dos 2.000 funcionários globais da ONU. Embora grupos como a Anistia Internacional tenham acusado Israel de genocídio, a ONU ainda não usou o termo oficialmente.

Além disso, a África do Sul apresentou um caso de genocídio contra Israel à Corte Internacional de Justiça, mas ainda aguarda julgamento.

A porta-voz do ACNUDH, Ravina Shamdasani, e Turk reconheceram a seriedade da situação em Gaza e a necessidade de suporte interno à equipe da ONU diante da adversidade.

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