Chefe de agência sanitária dos EUA demitida após semanas no cargo desafia destituição
Demissão de Susan Monarez gera ondas de protesto no CDC, com renúncias de altos funcionários em resposta às novas políticas de vacinação. As tensões aumentam à medida que especialistas criticam a desinformação sobre saúde pública promovida pela administração atual.
Demitida na quarta-feira (27), a diretora do CDC, Susan Monarez, foi afastada pela Casa Branca menos de um mês após assumir o cargo.
Quatro altos funcionários renunciaram em protesto, em meio a tensões sobre políticas de vacinação e diretrizes de saúde pública.
O secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., promoveu mudanças drásticas nas recomendações de vacinação, incluindo:
- Cancelamento das recomendações federais para vacinas contra a covid-19 para gestantes e crianças.
- Demissão do painel consultivo de vacinas do CDC, substituído por conselheiros antivacina.
Um dos demissionários alertou que as novas recomendações colocam jovens americanos e gestantes em risco. O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, afirmou que Monarez não estava "alinhada com a agenda do presidente".
Os advogados de Monarez contestam a demissão, alegando que ela não iria renunciar e que foi alvo de perseguição por Kennedy.
Entre os que renunciaram estão a diretora médica Debra Houry e o diretor do Centro Nacional de Imunização, Demetre Daskalakis, citando o aumento da desinformação e a tentativa de cortes orçamentários.
A Casa Branca planeja cortar quase US$ 3,6 bilhões do orçamento do CDC, reduzindo-o a US$ 4 bilhões até 2026.
Recentes incidentes, como um tiroteio na sede do CDC, agravaram a situação, segundo o sindicato dos trabalhadores da agência.
Monarez, confirmada pelo Senado em 29 de julho, foi a segunda indicada de Trump, após a retirada da primeira indicação.
Durante sua audiência, Monarez afirmou não ter evidências que ligassem vacinas ao autismo, um ponto em desacordo com as afirmações de Kennedy, que anunciou investigações sobre o tema.