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Climão na Argentina: medidas de Milei pressionam bancos, em meio a demanda crescente por dólares

Tensões entre o governo de Javier Milei e os bancos argentinos aumentam após novas exigências de liquidez. A medida, que visa conter a desvalorização do peso, prejudica a rentabilidade das instituições financeiras e gera insatisfação no setor.

Governo argentino impõe novas medidas para conter vendas do peso e compra de dólares, aumentando tensões com os bancos. O presidente Javier Milei e o setor financeiro, que anteriormente apoiava a política econômica, agora enfrentam desafios de rentabilidade.

A partir de agora, os bancos devem cumprir requisitos de liquidez diariamente, em vez de mensalmente, e a insatisfação com essa mudança ficou evidente em reuniões com o banco central. Executivos de instituições como Banco Galicia, Banco Santander e Banco Macro preparam um documento com recomendações de alterações operacionais.

As tensões cresceram desde julho, quando o governo começou a retirar pesos do mercado. O peso perdeu mais de 12% de seu valor em agosto, desencadeando uma escassez de liquidez e elevando as taxas de juros reais a dígitos duplos.

No dia 13 de agosto, o governo refinanciou apenas 61% da dívida em pesos, injetando cerca de US$ 4,6 bilhões na economia. Em resposta, as exigências de reservas foram elevadas, aumentando os custos de captação para os bancos.

As taxas de juros dispararam, e empresas buscavam financiamento a mais de 100% ao ano, enquanto o ministro da Economia, Luis Caputo, reafirmou que sobrando pesos, eles seriam absorvidos.

As novas regras impactam a rentabilidade dos bancos, que já enfrentavam pressão. A queda nos resultados deverá ser refletida em futuros balanços, com ações de bancos caindo até 8,2% em Nova York.

Analistas afirmam que grandes bancos podem suportar o choque, mas instituições menores estão em risco de quebra. A pressão sobre as margens está crescente, com custos de captação superando 44%.

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