CNI pede prudência após governo Lula autorizar o uso da Lei da Reciprocidade contra tarifaço de Trump
CNI ressalta importância do diálogo nas relações comerciais com os EUA, mesmo após a abertura de consultas para aplicar a Lei da Reciprocidade. Presidente Lula afirma que não há pressa em implementar a medida, priorizando negociações.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou para a necessidade de cautela na intensificação da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. A declaração foi feita após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizar a abertura de consultas para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, em resposta ao tarifaço de 50% imposto pelos EUA.
A CNI enfatizou que é hora de apostar no diálogo. O setor industrial busca preservar a relação bilateral entre os países, construída ao longo de mais de 200 anos.
Para reforçar essa postura, uma comitiva da CNI, composta por mais de 100 líderes empresariais, viajará a Washington na próxima semana. A agenda inclui:
- Reuniões com autoridades e representantes do setor privado americano;
- Preparativos para uma audiência pública em 3 de setembro, sobre a investigação conforme a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
Apesar de ter iniciado formalmente o processo da Lei da Reciprocidade, o governo brasileiro reiterou suas intenções de negociar. O Itamaraty informou que o processo pode durar até sete meses e inclui etapas de consulta. Lula ressaltou que os ministros brasileiros têm sido ignorados por Washington e destacou a contratação de um escritório de advocacia nos EUA para defender os interesses nacionais.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou a importância de buscar uma solução que reverta a taxa de tarifa.
Lula afirmou que “não tem pressa” para aplicar a Lei da Reciprocidade, mas que é essencial avançar nas negociações. Em entrevista à Rádio Itatiaia, ele disse que o Brasil está disposto a dialogar, mas até o momento não teve resposta das autoridades americanas.