Com novas tarifas, Trump repete erro de quase 100 anos e implode ordem que EUA construíram
Trump prepara imposição de tarifas recíprocas em meio a temores de uma nova guerra comercial. A medida, que visa desmantelar o sistema comercial global, pode resultar em efeitos econômicos severos tanto para os EUA quanto para seus parceiros comerciais.
Quase 100 anos após a guerra comercial dos EUA, o presidente Donald Trump está prestes a impor tarifas recíprocas, um movimento considerado mais abrangente do que as tarifas Smoot-Hawley de 1930, que aprofundaram a Grande Depressão.
Trump acredita que os EUA foram explorados nas últimas quatro décadas e agora busca desmantelar o sistema comercial global, fazendo uso de novas tarifas, cuja duração e isenções ainda estão em debate.
Os mercados financeiros já estão abalados e autoridades globais temem uma possível recessão nos EUA. Christine Lagarde, do Banco Central Europeu, alertou para as consequências de um governo hostil dos EUA, enquanto o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, declarou que o tradicional relacionamento comercial com os EUA chegou ao fim.
As novas tarifas splitam opiniões no setor corporativo: enquanto empresas de siderurgia celebram, a Câmara de Comércio dos EUA adverte que as pequenas empresas sofrerão danos. Empresários como Elon Musk pedem cautela em relação a essas medidas.
Trump justifica as tarifas como um cumprimento de sua promessa de campanha e como uma forma de gerar receita para compensar cortes de impostos, apontando que o impacto será ainda maior que o das tarifas Smoot-Hawley.
Impacto nas importações: As tarifas poderiam elevar a taxa média em até 28 pontos percentuais, resultando em uma queda de 4% no PIB e aumento de preços de cerca de 2,5% ao longo de dois a três anos.
A Bloomberg Economics alerta que, embora o impacto nas economias estrangeiras seja administrável, o Canadá e países do Sudeste Asiático podem sentir interrupções significativas. Há uma expectativa de retaliação com tarifas sobre importações americanas.
Trump e seus assessores insistem que as tarifas trarão imperativo investimento, com promessas de arrecadação de US$ 700 bilhões. No entanto, a incerteza econômica levou a uma queda nas expectativas de crescimento, com o Fed já reduzindo suas projeções de 2,1% para 1,7%.
A indústria e o consumidor expressam preocupações com os efeitos colaterais, e Trump minimiza o aumento de preços, afirmando que as pessoas comprarão carros americanos.
O GATT e a OMC são agora ignorados em favor de acordos bilaterais, mas essa abordagem pode conduzir a um aumento de barreiras comerciais globais, resultando em redução da competitividade.
As empresas estão se adaptando à incerteza e adiando decisões, refletindo o impacto potencial na economia. Economistas alertam que o protecionismo não é uma estratégia eficaz a longo prazo.
Esta ofensiva tarifária provou ser um divisor de águas na confiança do consumidor e expectativa de crescimento econômico, deixando Wall Street inquieta, enquanto o panorama do comércio internacional se torna incerto e volátil.