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Como a Rússia está tentando silenciosamente conquistar o mundo

Canais de comunicação russos se expandem globalmente, mesmo com sanções no Ocidente, atraindo audiências em regiões com sentimentos antiocidentais. A estratégia envolve manipulação cuidadosa de narrativas, visando desestabilizar a confiança nas instituições e fortalecer laços com nações em desenvolvimento.

Transformação inesperada na TV chilena: Javier Gallardo, motorista de caminhões, liga a TV em uma segunda-feira de junho e encontra a emissora russa RT em vez do habitual programa de música clássica. Após 20 minutos sem compreensão, ele desliga o aparelho.

A Telecanal, canal de TV chileno, entregou seu sinal à RT, que é financiada pelo Estado russo. A agência reguladora de rádio e TV do Chile iniciou sanções contra a Telecanal por violar leis locais, enquanto a emissora se mantém em silêncio sobre o ocorrido.

Nos últimos três anos, a presença da RT e da Sputnik se expandiu globalmente, especialmente na America Latina e na África, após restrições impostas no Ocidente após a invasão da Ucrânia em 2022.

Apesar das sanções nos EUA e Europa, a RT abriu escritórios e lançou serviços voltados para públicos específicos. Especialistas indicam que a propaganda russa é calibrada para agradar diferentes audiências.

A RT conquistou uma imagem positiva em várias partes do mundo, onde é vista como uma emissora legítima. Entretanto, é acusada de veicular desinformação, retratando eventos na Ucrânia de forma tendenciosa.

O canal também destaca-se na África, onde a cultura antiocidental e o legado soviético favorecem a aceitação da narrativa russa.

Com informações sobre desinformação, a RT atrai jornalistas africanos, oferecendo treinamento. Muitos acreditam que é uma emissora padrão, apesar das evidências contrárias às suas afirmações, como os ataques em Bucha.

No Oriente Médio e América Latina, a RT ajusta sua cobertura para se alinhar a sentimentos regionais. Ela está disponível em dez países latino-americanos e é vista como uma alternativa às emissoras ocidentais.

Embora a RT afirme ter uma enorme audiência global, especialistas questionam as métricas, argumentando que a simples disponibilidade de sinais não significa impacto real. No Sahel, a Rússia tem aumentado sua influência militar, enquanto a narrativa russa da invasão da Ucrânia persiste em várias regiões.

Os cientistas políticos alertam que o Kremlin busca normalizar sua agressão, apresentando-se como uma potência benigna. Hutchings enfatiza a necessidade de estar ciente das atividades russas e o impacto que têm na ordem global e na democracia.

A RT reconheceu sua expansão global, mas não comentou sobre as alegações detalhadas.

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