Como dinossauros estão ajudando a China em seu plano de se tornar uma superpotência
O crescimento da paleontologia na China marca uma nova era na pesquisa de dinossauros, enquanto o Brasil reflete sobre as perdas de fósseis importantes. O país asiático agora se destaca em estudos, mas enfrenta críticas por suas práticas de pesquisa em território estrangeiro.
Dinossauros e Paleontologia: Uma Revolução Chinesa
A imagem clássica de dinossauros como lagartos gigantes mudou com a descoberta do Sinosauropteryx em 1996, o primeiro dinossauro sem asas com penas, proveniente da China. Essa descoberta confirmou que os dinossauros são parentes mais próximos das aves do que dos répteis atuais.
Antes da descoberta, a paleontologia na China era negligenciada, com fósseis sendo levados para o Ocidente. Após essa virada, Pequim começou a investir na ciência, tornando-se uma potência paleontológica mundial, superando até os EUA em publicações científicas.
A descoberta do Ubirajara Jubatus, o primeiro dinossauro com penas do hemisfério sul, é um ponto de dor para pesquisadores brasileiros. O fóssil foi roubado em 1995 e ficou perdido por 20 anos na Alemanha.
As paleontólogas Aline Ghilardi e Emma Dunne observam que a China, que começou como vítima do neocolonialismo científico, agora coleta fósseis internacionalmente sem colaboração local, um fenômeno alarmante.
A China tem reforçado suas leis de proteção às relíquias, enquanto o comércio ilegal de fósseis despencou. O país investe em pesquisa nacional, sujeitando as relíquias à propriedade do Estado.
O âmbar de Mianmar, uma nova fonte de interesse, apresenta dilemas éticos, especialmente após o golpe militar em 2021, mudando a dinâmica das publicações científicas e levando à recomendação de boicote a essas pesquisas.
Pesquisadoras afirmam que a ciência deve ser colaborativa e defender os direitos dos países de origem. “A ciência precisa de pessoas, e nós queremos fazer ciência em nosso próprio país”, conclui Bolortsetseg Minjin.