Como foi o 'batismo de fogo' dos Voluntários da Pátria na Guerra do Paraguai, há 160 anos
Analisando o contexto dos Voluntários da Pátria na Guerra do Paraguai, a história revela como muitos cidadãos, incluindo estrangeiros e escravizados, foram forçados a lutar em prol de uma nação em conflito. A batalha em São Borja, que marcou o início das hostilidades, expôs não apenas a bravura, mas também as contradições de um exército formado em condições adversas.
Nos primeiros meses da Guerra do Paraguai (1864-1870), aproximadamente um terço dos 150 mil soldados brasileiros era formado pelos Voluntários da Pátria, que se alistaram em condições muitas vezes coercitivas.
A denominação "Voluntário" é imprecisa, pois muitos foram recrutados à força, e "pátria" é questionável, considerando que muitos eram estrangeiros ou escravizados, que só obtinham cidadania ao serem alforriados.
A primeira batalha ocorreu em 10 de junho de 1865, em São Borja, onde cerca de mil homens defenderam a vila contra 4 mil soldados paraguaios. Apesar de uma resistência notável, os brasileiros foram derrotados.
São Borja, fundada por jesuítas no século XVIII, foi um importante entreposto comercial que conectava o Brasil e o Paraguai. A invasão paraguaia, iniciada nesse dia, resultou em 100 dias de combates e o saque da vila.
Com a invasão do Uruguai, o Brasil se envolveu na guerra devido à importância do Paraguai para a região e a derrubada de seu presidente, Solano López, que via a atividade como ameaça.
A Guerra do Paraguai, que durou 1.884 dias, resultou na morte de milhões de paraguaios e na derrota do país. O Brasil teve cerca de 50 a 60 mil mortos e o conflito afetou significativamente a política e a estrutura social das nações envolvidas.
O professor Jeremyas Machado Silva destaca que este foi o maior conflito entre as guerras napoleônicas e a Primeira Guerra Mundial, afetando profundamente as regiões e os exércitos da América do Sul.