Como 'obstrução sistemática' feita por Israel levou à crise de fome em Gaza
Relatório da ONU revela que meio milhão de palestinos em Gaza estão passando fome devido à obstrução sistemática da ajuda humanitária por Israel. A situação se deteriora rapidamente, com riscos crescentes de mortalidade e desnutrição generalizada.
A fome em Gaza afeta meio milhão de pessoas, um quarto da população, e é considerada "inteiramente causada pelo homem" segundo relatório da Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar (IPC).
As organizações humanitárias relatam que Israel obstrui a entrada de alimentos, resultando em condições de desnutrição, indigência e morte. Desde o início da guerra em outubro de 2023, a situação se deteriorou com um bloqueio total de quase três meses.
Recentemente, duas novas mortes por desnutrição elevaram o total para 273 mortes, incluindo 112 crianças. Israel nega a crise, culpando agências humanitárias e o Hamas.
As Nações Unidas relatam que 964 palestinos morreram nas proximidades de locais de distribuição de ajuda desde o final de maio, com muitas mortes atribuídas a tropas israelenses. Israel rejeita essas acusações.
As dificuldades de acesso a alimentos aumentaram com um novo sistema de distribuição controlado por uma Fundação Humanitária de Gaza, que é criticado por ser ineficiente e perigoso. O número de caminhões de ajuda permitido ainda é abaixo do necessário.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel e o Cogat defenderam que o relatório da IPC é falsificado e baseia-se em dados parciais. No entanto, especialistas e agências da ONU afirmam que o bloqueio e as restrições são responsáveis pela crise de fome.
No cenário atual, Israel iniciou uma nova ofensiva em Gaza, convocando reservistas e preparando uma ocupação, o que pode agravar ainda mais as condições de fome para a população civil.