Como terremoto em Mianmar destruiu a 'cidade de ouro' dos budistas
Cidades de Mianmar vivem caos e desespero após terremoto devastador, com corpos se acumulando e esforços de socorro sendo dificultados pela violência militar. O número de mortos pode ultrapassar 10 mil, enquanto sobreviventes enfrentam escassez de comida e assistência.
Mandalay, a antiga capital real de Mianmar, enfrenta uma crise devastadora após um terremoto de magnitude 7,7 que ocorreu na sexta-feira passada.
O desastre resultou em mais de 2,7 mil mortes e 4.521 feridos, com centenas ainda desaparecidos. O número de óbitos pode superar 3 mil, segundo a junta militar, enquanto o Serviço Geológico dos EUA sugere que mais de 10 mil mortos é uma possibilidade real.
Os esforços de resgate são prejudicados por infraestrutura precária e conflitos civis. Moradores passam as noites temendo tremores secundários, muitos vivendo em barracas ou nas ruas.
J, uma residente que perdeu a tia no terremoto, relatou que "corpos estão sendo cremados em pilhas" na cidade. Com a escassez de suprimentos, incluindo comida e água, a situação se agrava para os sobreviventes.
No contexto do sofrimento, crianças pequenas estão apresentando sinais de trauma. Ruate, pai de um menino de oito anos, descreveu a angústia do filho ao ver partes do bairro em ruínas.
Embora algumas pessoas tenham sido resgatadas, as tentativas de socorro são dificultadas por restrições militares que limitam o acesso das organizações humanitárias às áreas afetadas. A Human Rights Watch e a Anistia Internacional pedem acesso imediato às vítimas.
Enquanto a junta militar afirma que assistência de outros países é bem-vinda, críticas surgem por sua contínua violência durante a recuperação do desastre. As ruas de Mandalay, antes vibrantes, agora estão repletas de destroços de pagodes e sob pressão de uma pobreza crescente.
Mianmar observou um minuto de silêncio em homenagem às vítimas, refletindo a profunda desolação do país após anos de conflitos e desastres naturais.