‘Crime organizado está bancarizado; ninguém precisa de paraíso fiscal’, diz chefe da Receita em SP
Receita Federal revela como o crime organizado se infiltrou no sistema financeiro por meio de fintechs. Márcia Meng destaca a urgência de uma regulação que diferencie as instituições legítimas das que operam para o crime.
Márcia Meng, superintendente da Receita Federal em São Paulo, liderou operação que vasculhou 42 alvos na Avenida Faria Lima em 28 de setembro. A ação expõe a infiltração do crime organizado no sistema financeiro brasileiro através de fintechs.
Segundo Meng, as fintechs têm se tornado instrumentos do crime, introduzindo dinheiro ilícito no sistema financeiro. Elas são mais sofisticadas, operando dentro da economia formal, e facilitando a lavagem de dinheiro.
A Receita Federal observa que o crime organizado domina diversas etapas da cadeia produtiva, impactando a concorrência e a qualidade dos produtos no mercado. Isso pode resultar na venda de produtos de má qualidade e até mesmo em problemas de saúde pública.
Em 2024, a Receita atualizou uma instrução normativa que exigia que as fintechs reportassem suas movimentações, algo que atualmente não se aplica devido a fake news que desvirtuaram a regulação. Sem essa obrigação, a Receita perde visibilidade sobre o que ocorre nessas instituições.
Meng destaca a importância de uma regulação que balanceie a inovação das fintechs com a segurança do sistema financeiro, para evitar maiores infiltrações do crime organizado.