CVM vê indícios de crime em aporte de R$ 361 milhões do Banco Master numa clínica em nome de laranja
CVM investiga o Banco Master por supostos crimes financeiros relacionados a investimentos fraudulentos de R$ 2,1 bilhões em empresas sem viabilidade económica. A suspeita envolve aportes destinados a uma clínica médica com receita irrisória em comparação aos valores recebidos.
Investigações da CVM revelaram suspeitas de crimes financeiros na gestão do Banco Master, devido a investimentos fraudulentos que inflaram o patrimônio da instituição.
O banco investiu R$ 2,1 bilhões em empresas sem a capacidade de gerar retorno, o que pode comprometer sua solidez patrimonial. A CVM está investigando uma proposta de compra de 58% do Banco Master pelo BRB, que enfrenta questionamentos do Ministério Público.
A principal suspeita envolve um investimento de R$ 361 milhões em uma clínica em Contagem (MG), que possui receita operacional de apenas R$ 54 mil ao ano. O relatório da CVM afirma que a clínica é uma fachada, registrada em nome de uma “laranja”.
A apuração começou para fiscalizar a Laqus Depositária de Valores Mobiliários, responsável pela emissão de notas comerciais que geraram os aportes ao Master. As notas emitidas destacam disparidade entre os valores recebidos e a receita operacional da clínica.
O parecer técnico da CVM aponta indícios de irregularidades que inflaram o patrimônio do Banco Master. O patrimônio líquido do banco subiu de R$ 2,38 milhões em 2023 para R$ 4,74 milhões em 2024.
A Laqus afirmou que cumpriu os requisitos legais, enquanto o relatório concluiu que há indícios da prática de fraude. A Procuradoria Federal Especializada também encontrou elementos que sugerem ocorrência de crimes, com base na Lei 7.492/86.
O Banco Master se defendeu, afirmando que todos os créditos foram quitados e expressou surpresa com as alegações. A Clínica Mais Médicos S.A. reiterou que não possui pendências financeiras e enfatizou seu compromisso com a ética e transparência.