Demissão de diretora do Fed por Trump pode ser bloqueada por juíza dos EUA
Juíza avaliará pedido de bloqueio da demissão de diretora do Fed por Trump, que alega motivos infundados. Caso pode impactar a independência do banco central dos EUA e levar a uma disputa judicial prolongada.
Uma juíza federal avaliará nesta sexta-feira (29) a possibilidade de bloquear a demissão da diretora do Fed, Lisa Cook, pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Cook alega que a remoção não tem justificativa legal válida.
A audiência será conduzida pela juíza Jia Cobb, em Washington, e é o primeiro passo de um possível litígio prolongado que pode impactar a independência do banco central dos EUA e, possivelmente, chegar à Suprema Corte.
Cook iniciou um processo contra Trump e o Fed, alegando que a acusação de fraude hipotecária apresentada por Trump não é suficiente para sua demissão, que estaria ligada à sua recusa em reduzir a taxa de juros.
A demissão de Cook ocorreu em um contexto onde a independência do Fed está sendo questionada, influenciando a economia global e causando a queda do dólar.
A lei que estabelece o Fed permite a remoção de diretores "por justa causa", mas não define o termo e nunca foi testada judicialmente. É a primeira vez que um presidente tenta destituir um diretor do Fed.
Cook solicitou uma moção de emergência para bloquear a destituição, e Cobb deverá avaliar se há chances de sucesso no caso e se a remoção traria danos irreparáveis a Cook.
Cook nega as acusações de fraude e argumenta que, mesmo que houvesse cometido alguma irregularidade, isso não justificaria sua remoção, pois teria ocorrido antes de assumir o cargo em 2022.
Trump e o diretor da Agência Federal de Financiamento Imobiliário, William Pulte, afirmam que a conduta de Cook levanta dúvidas sobre sua integridade.
Os advogados do governo Trump devem argumentar que a alegação de fraude é uma base válida para a demissão, enquanto o governo pode contestar que proteções para diretores do Fed violam os poderes constitucionais do presidente.
É esperado que o caso chegue à Suprema Corte, onde precedentes indicam que a demissão de funcionários de agências pode ser permitida, embora a decisão recente tenha destacado a singularidade do Fed.