Direita bolsonarista abre dez frentes narrativas e dificulta defesa em discurso único
Aliados de Jair Bolsonaro apresentam diversas narrativas para criticar o julgamento do ex-presidente no STF, dificultando um discurso unificado. Apesar das críticas, muitos veem a situação como uma oportunidade para reforçar a imagem de Bolsonaro como vítima de uma perseguição política.
BRASÍLIA – Após o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que tornou Jair Bolsonaro réu por tentativa de golpe de Estado, ele e seus aliados criaram dez frentes narrativas para criticar as decisões.
A diversidade de argumentos dificulta a formação de um discurso único. Contudo, aliados consideram que as críticas reforçam a imagem de Bolsonaro como vítima de perseguição.
Nos pronunciamentos de Bolsonaro e nas redes sociais de seus aliados, surgiram acusações de perseguição, críticas ao foro do julgamento, ao cerceamento do direito de defesa, e desinformações sobre o processo e os eventos de 8 de Janeiro.
O senador Rogério Marinho afirmou que a variedade de narrativas é mal compreendida, enquanto Paulo Figueiredo, crítico de Bolsonaro, apontou falhas na estratégia de comunicação do ex-presidente após o julgamento.
No segundo dia do julgamento, Bolsonaro se defendeu de forma improvisada, repetindo várias desinformações sobre o sistema eleitoral, as eleições de 2018, e a legalidade de sua conduta durante a transição de governo.
O ex-presidente questionou as penas severas aplicadas contra os presos do 8 de Janeiro e questionou a imparcialidade do julgamento em um tribunal com membros ligados ao PT.
Bolsonaro também criticou o ministro Luiz Fux por considerações sobre o foro de julgamento, e o advogado de Bolsonaro, Celso Sanchez Villardi, destacou a dificuldade no acesso a provas durante o processo.
Críticas à composição da Primeira Turma foram levantadas por outros aliados, como Nikolas Ferreira, que questionou a imparcialidade do tribunal.
Como parte de sua defesa, Bolsonaro comparou sua gestão à de Luiz Inácio Lula da Silva, sugerindo que as acusações contra si são parte de um plano para impedir sua candidatura em 2026.
O ex-presidente enfatizou que não cometeu crime ao não passar a faixa a Lula e tentou desconstruir a ideia de que houve tentativa de golpe no 8 de Janeiro, promovendo diversas teorias desmentidas.