Direita francesa ameaça reagir no Parlamento após condenação de Marine Le Pen
Políticos da direita francesa criticam decisão do Judiciário e defendem que punição a Marine Le Pen deve ser revista pelo eleitorado. Enquanto isso, a líder do Reunião Nacional chama a sentença de interferência eleitoral, instigando debates sobre justiça e política no país.
Políticos da direita francesa reagiram, nesta terça-feira, à condenação de Marine Le Pen, que a tornou inelegível por cinco anos. Éric Ciotti, da União da Direita pela República, anunciou proposta para anular a decisão.
Ciotti chamou a sentença de “morte política”, um termo usado por Le Pen após a condenação por desvio de € 4,1 milhões durante seu mandato no Parlamento Europeu (2004-2016).
Outros políticos expressaram preocupações sobre a interferência do Judiciário. A condenação incluiu quatro anos de prisão, mas essas penas estão suspensas até a revisão do recurso.
Jean-Luc Mélenchon, líder de esquerda, ressaltou que a decisão de remoção de um político deve vir do povo, não da Justiça. O conservador Laurent Wauquiez corroborou essa visão, defendendo decisões eleitorais nas urnas.
A justiça poderia levar tempo para revisar a sentença, deixando Le Pen fora das eleições presidenciais de 2027. Ela respondeu à condenação, chamando-a de “bomba nuclear” e prometeu que não deixará o povo francês “roubar” as eleições.
Le Pen e outros do Reunião Nacional criticaram abertamente o Judiciário, com Jean-Philippe Tanguy descrevendo juízes como “tiranos”.
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, afirmou que Le Pen pode apelar da decisão e enfatizou a independência do Judiciário. O primeiro-ministro François Bayrou apoiou essa independência, mas expressou dúvidas sobre o efeito imediato da inelegibilidade.
Le Pen poderia ter enfrentado inelegibilidade de até 10 anos, mas foi condenada a 5, numa decisão justificada para evitar “perturbação da ordem pública”. Essa não é a primeira inelegibilidade na França; Jacques Chirac e Nicolas Sarkozy também foram afetados.