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Do ChatGPT ao Grok, nenhuma IA cumpre exigências mínimas da lei brasileira de proteção de dados

Estudo revela que plataformas de inteligência artificial em uso no Brasil não atendem às normas da LGPD, comprometendo a privacidade dos usuários. Apesar de grandes investimentos em privacidade, as falhas incluem a ausência de políticas de privacidade em português e a falta de informações sobre direitos dos titulares de dados.

Plataformas de IA no Brasil não cumprem a LGPD

Pesquisas do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio mostram que ferramentas populares de inteligência artificial, como ChatGPT, Copilot e Grok, operam sem seguir normas básicas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Dentre os problemas identificados, destacam-se:

  • Políticas de privacidade não publicadas em português;
  • Falta de informações sobre direitos dos usuários;
  • Não detalhamento do processo para transferência internacional de dados.

A pesquisa avaliou sete ferramentas, considerando quatorze critérios. Conclusão: nenhuma atende integralmente às exigências da lei.

O professor Luca Belli, coordenador da pesquisa, afirma que o cenário é preocupante, uma vez que plataformas grandes não cumprem nem o mínimo exigido pela LGPD.

O estudo identificou que apenas Claude, MetaAI e Gemini atendem mais de dez critérios. As únicas exigências cumpridas por todas as plataformas foram:

  • Ter uma política de privacidade;
  • Identificar o controlador dos dados;
  • Informar quais dados são tratados.

O DeepSeek (chinês) é o único sistema de IA usado no Brasil que não é americano. O governo dos EUA criticou a LGPD em relatório recente, avaliando-a como um entrave para as big techs.

Os pesquisadores ressaltam que a falta de transparência no uso de dados pessoais não só infringe a lei brasileira, mas também levanta preocupações sobre a soberania digital do Brasil.

No geral, DeepSeek e Grok foram os piores avaliados, não cumprindo mais da metade das exigências. O ChatGPT também descumpre cinco dos quatorze critérios.

Empresas como Gemini, Copilot e Meta AI falham em seguir normas de transferência internacional de dados. A falta de clareza sobre os direitos dos titulares de dados é uma deficiência crítica.

Os resultados fazem parte de um projeto da FGV que analisará políticas de privacidade de plataformas digitais e estudará obrigações mais complexas no futuro.

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