Dois diretores do BC estão no centro do impasse do Banco Master; leia bastidores
Banco Central enfrenta disputa interna sobre venda do Banco Master, envolvendo preocupações com riscos financeiros e responsabilidade pelas futuras decisões. A análise da operação do BRB revela tensões entre diretores, com implicações potenciais para a saúde do sistema bancário.
BRASÍLIA - O “risco CPF” está gerando divisões internas no Banco Central sobre a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB).
A autorização da operação depende de Renato Dias Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, enquanto a liquidificação do Master, caso ocorra, dependeria de Ailton Aquino, diretor de Fiscalização.
Enquanto Gomes é resistente à operação, Aquino tem sinalizado apoio. O encaminhamento do voto é considerado uma “batata quente” devido à responsabilidade envolvida.
O mercado financeiro está preocupado com o “risco moral” do caso Master, já que o banco teve crescimento acelerado baseado em um modelo de negócios arriscado. Ele obtinha recursos oferecendo alta rentabilidade via Certificados de Depósito Bancário (CDB), mas investia em ativos de baixa liquidez, como precatórios e dívidas creditórias.
A compra do Master foi proposta pelo BRB no final de março, e o caso está em análise pelo Banco Central. Gomes declarou que não há data para a decisão e minimizou rumores de cisões na diretoria do BC.
Caso aprovada, a venda do Master pode dividir o banco em partes, com ações sendo vendidas para diversos investidores, enquanto ativos menos atrativos ficariam com Daniel Vorcaro, dono do Master, com suporte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Além disso, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investiga suspeitas de crimes financeiros na gestão do Banco Master, com investimentos suspeitos de R$ 2,1 bilhões que podem comprometer sua solidez patrimonial. O Master declarou que esses investimentos foram quitados.