Economia da Argentina dá sinais de desaceleração após crescer no 1º semestre
Economia argentina mostra sinais de recuperação, mas enfrenta desaceleração e altos custos de crédito. Medidas governamentais para combater a inflação podem impactar a atividade econômica nos próximos meses.
Argentina apresenta recuperação econômica de 6,2% no primeiro semestre de 2024, mas sinais de desaceleração surgem no início da segunda metade do ano, acompanhados por um aumento no custo do crédito.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), a atividade econômica caiu 0,7% em junho em relação a maio, embora tenha subido 6,4% em relação a junho de 2023, marcando a nona alta consecutiva.
A recuperação ocorre após uma queda de 3% no mesmo período de 2023, devido ao severo ajuste do governo de Javier Milei.
Dados da consultoria Orlando Ferreres mostram que a atividade desacelerou para 0,5% no segundo trimestre, comparado a 1,3% no primeiro. Um relatório do CICEC apontou uma "desaceleração generalizada" com quedas significativas nos setores industrial, construção e importações.
Fatores de instabilidade, tanto internos quanto externos, afetam a atividade econômica. Internamente, mudanças na política monetária e cambial estão gerando ajustes. Externamente, conflitos bélicos e políticas tarifárias dos EUA provocam volatilidade nos mercados.
A Confederação Argentina da Média Empresa reportou que as vendas de pequenas e médias empresas caíram 2% em julho em relação ao ano anterior e 5,7% em relação a junho. A alta inflação e o endividamento das famílias limitam o consumo.
A política monetária do governo prioriza o combate à inflação, resultando em taxas de juros crescentes que encarecem o crédito. Isso poderá afetar negativamente a recuperação da atividade econômica.
“O risco de uma desaceleração da atividade aumenta devido à estagnação da renda familiar e às altas e voláteis taxas de juros,” conclui a Orlando Ferreres.