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‘Educação é elefante contra estilingue’

O livro "A Loteria do Nascimento" revela como as desigualdades socioeconômicas prejudicam a mobilidade social no Brasil. Os autores enfatizam que o mérito é distorcido por fatores como origem familiar e acessos a oportunidades.

Ascensão social no Brasil é desafiadora: Crianças e jovens de baixa renda enfrentam inúmeros obstáculos, mesmo sendo talentosos e esforçados. O economista Michael França enfatiza que o local de nascimento impacta fortemente os resultados na vida.

França, coautor do livro “A Loteria do Nascimento”, afirma que, apesar de avanços educacionais, as desigualdades persistem. A minoria privilegiada desfruta de:

  • Estrutura familiar favorável
  • Herança financeira
  • Redes de contatos
  • Educação em instituições de renome

Por outro lado, os jovens de famílias menos favorecidas enfrentam:

  • Falta de conexões para emprego
  • Impossibilidade de recusar propostas ruins
  • Dificuldades financeiras para estágios não remunerados
  • Acesso limitado à educação adicional

A cultura também é uma barreira. Esses jovens muitas vezes se sentem desconectados dos códigos sociais de seus gestores. O livro ressalta que a meritocracia deve considerar as condições iniciais, e não apenas o desempenho individual.

França, com uma trajetória de superação, critica a romantização de sua história. Ele cresceu em meio às dificuldades, fez a faculdade como destaque e é colunista da Folha de S.Paulo. O livro surgiu de relatos de jovens desiludidos que achavam que um diploma garantiria sucesso.

França advoga por medidas contra desigualdades, como a tributação de patrimônio, e alerta que a educação não é a única solução. Ele observa que muitos, mesmo bem-intencionados, confundem o foco em educação com uma fuga da responsabilidade de abordar suas próprias vantagens. “Parece uma válvula de escape”, conclui França.

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