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Efeitos de Trump serão permanentes, diz autor de best-seller sobre a direita

Especialista avalia que as mudanças ocasionadas pela extrema direita nos EUA sob Trump serão duradouras e impactarão a política futura do país. Ele também destaca a imprevisibilidade de Trump e a falta de um plano consistente em suas decisões, especialmente em relação à política externa.

Impacto das mudanças aplicadas pela extrema direita no governo dos EUA tende a ser permanente, com foco em um projeto de décadas de poder, segundo o especialista David A. Graham.

Ele destacou, em entrevista à Folha de S.Paulo, que o apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro no contexto tarifário é um desvio inesperado e não parte de um plano coeso.

Graham, autor do best-seller "O Projeto - Como a extrema direita está transformando os Estados Unidos", analisou o Projeto 2025, que descreve um caminho traçado por conservadores para a tomada de poder nos EUA.

Entre as ações citadas, ele mencionou a demissão de milhares de servidores e o controle da Suprema Corte pelo governo. “Estão passando da fase de tomada de poder para de políticas”, afirmou.

O objetivo do Projeto 2025 é estabelecer um poder imperial à Presidência, com valores nacionalistas e cristãos dominando a sociedade. Russel Vought, coautor, ocupa um posto estratégico na Casa Branca.

Graham acredita que mudanças são irreversíveis e que “será difícil para qualquer presidente abrir mão dos poderes uma vez que os tenha adquirido”. Qualquer reverter dos decretos não poderá restaurar uma estrutura governamental perdida.

O especialista comentou sobre Trump, ironizando sua relação com Elon Musk e a improvisação nas decisões políticas, além das contradições em sua política externa, que foca na China enquanto ignora questões prementes como a Guerra da Ucrânia.

Graham também criticou a esquerda americana por não levá-lo a sério e por ser reativa. O uso do termo "woke" por parte da extrema direita, transformando-o em uma arma, foi destacado como um erro da esquerda em não lidar com o fenômeno de maneira eficaz.

Por fim, ele considerou que há uma falta de resistência que pode permitir que a política se torne ainda mais tensa nos próximos anos, com o cenário incerto de quem pode ser o próximo líder conservador.

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