Ele vendeu sua imagem. Agora seu avatar faz 'publi' de suplementos no TikTok
A utilização de avatares digitais alimentados por inteligência artificial no TikTok está gerando polêmica entre artistas que perderam o controle sobre suas imagens. Muitos se mostram arrependidos por contratos mal elaborados, que não garantem royalties e permitem o uso de suas representações em diversas plataformas.
Scott Jacqmein, ator de 52 anos de Dallas, está em meio a uma controvérsia após ver seu avatar digital promovendo produtos no TikTok. Ele licenciou sua imagem no ano passado, mas agora se arrepende, pois não fala espanhol e a voz parece artificial.
Os anúncios, que vão de apps de horóscopo a quebra-cabeças, utilizam sua imagem, mas sem seu consentimento explícito para além do TikTok. Jacqmein recebeu apenas US$ 750 e uma viagem como compensação. Ele está desapontado com a falta de royalties e controle sobre sua imagem, sentindo que a tecnologia avança mais rápido que os contratos.
A plataforma de vídeos apresentou avatares digitais, acessíveis a anunciantes por preços variados. Esses avatares são uma solução econômica para empresas que desejam evitar custos com atores. Enquanto a TikTok reporta uma receita publicitária de mais de US$ 10 bilhões por ano nos EUA, muitos artistas estão insatisfeitos com os valores recebidos pelo uso de suas imagens.
Tracy Fetter, uma comediante, compartilha experiências semelhantes, recebendo menos de US$ 1.000 por seu avatar. Outros artistas expressaram desconforto com a possibilidade de suas imagens serem usadas em campanhas que consideram inadequadas.
Os avatares estão sendo utilizados cada vez mais em diversas plataformas, não apenas no TikTok. Os contratos não garantem privilégios claros sobre o uso das imagens em outras aplicações da ByteDance, resultando em compromissos duvidosos para os artistas.
Experts alertam que, mesmo que haja regulamentação, não se pode prever completamente como a imagem de alguém poderá ser usada, levando os artistas a um campo inexplorado na publicidade digital.